Coletivo Brancaleone

domingo, 17 de julho de 2011

RESENHA PRÉ MANIFEST 7

Por Fernando Feio

Dizer que tenho orgulho de ser punk estava meio inviável nos últimos tempos... afinal, como todos que acompanham esse blog já sabem, vivemos uma época em que todo mundo é punk por simplesmente achar legal, curtir um “rolê”, mostrar um visual, não colocar sentido nenhum na sua vida como punk, apenas sendo uma fase de auto-afirmação de sua vida (sempre coincidindo com a adolescência, fase de afirmação natural e biológica do ser humano) e de 70% dos casos de forma efêmera: Uns desistem, outros viram skinheads fascistas, outros viram Punks fascistas, se integrando a grupos que, por mais que ostentem o “A na Bolinha” na sua indumentária, não fazem porra nenhuma pelo movimento punk, ficam “fiscalizando” quem você é, com quem você anda e se achando no direito de querer ferir alguém com faca, tiro, ou matar simplesmente porque não segue aos critérios do manual de instruções da quadrilha pseudo-punk, que já inclusive consolida chavões e bordões típicos para justificar o injustificável, coisas como: “Fulano é pilantra”, “Fulano é safado” ou “Fulano dá a mão pra careca”. Pilantra é quem te prejudica diretamente,geralmente os “pilantras” nunca nem chegaram a 10 metros de distancia do acusador; safado é quem gosta de sexo; e quem dá a mão pra careca é muito burro pois se for pra decepar alguma parte do corpo que ao menos venda.
Enfim, esse tipo de gente, que sempre fez, faz e fará merda, diversas vezes me inspirou a perguntar a mim mesmo: Que porra que eu tô fazendo aqui no movimento punk, tirando dinheiro do meu bolso, fazendo as esposas dos integrantes da minha banda brigar com os mesmos pela frequência de shows que desencadeia na falta de tempo para a família, carregando aparelhagem nas costas e escrevendo para este blog? Poucos frutos positivos consegui dando o sangue pelo movimento Punk, de resto só gente invejosa falando mal de mim, parasitas de porta de galeria querendo me matar, usando os jargões há pouco citados, prejuízos financeiros e até mesmo físicos, machucando-me várias vezes carregando o peso de amplis enormes e instrumentos em ônibus – quem me conhece sabe do que estou falando.
Porém, a melhor coisa que fiz em toda minha vida como Punk foi conhecer os Punks das antigas. Que construíram esta cena, e que ainda nos ajudam, mostrando como se faz um movimento perdurar por décadas apesar dos pesares. E não só conhecer, mas ser reconhecido por pessoas que já comeram o pão que o diabo amassou pra manter essa porra viva forma mais uma injeção de ânimo. E trabalhar junto com os velhotes jovens da cena me faz ver na prática que o que estive fazendo nestes quase 10 anos de dedicação ao Punk é a legítima continuação do que eles fizeram para construir isto. Para ser punk, além da atitude, do senso crítico e da coragem, tem que ter acima de tudo amor a tudo o que se faz, que gera maior dedicação e maiores resultados e sede de viver, se colocando em seu lugar e tratando apenas do que interessa – e a vida alheia, tão interessante para os pregos, não nos interessa.
E antes que me perguntem onde está a porra da resenha, termino este testemunho emocionado do poder de Deus em minha vida graças ao suor vendido pelo pastor Waldomiro Santiago dizendo que uma das melhores experiências de minha vida foi ingressar no Coletivo Brancaleone Punk Rockers. Um legítimo encontro de gerações que está botando a mão na massa para que o Punk siga vivo e resistindo culturalmente, que se valorize cada vez mais e que gere mais união entre quem leva o Punk a sério, a ponto do público dar feedbacks e congratulações a cada evento por nós realizado, tendo o mesmo a consciência que pagar entrada é importante para cobrir despesas e que um mal entendido se resolve em conversa (ou em sexo), e não em porrada, facada, paulada ou rolo de macarrão. E sentimo-nos honrados em ter realizado no último sábado o Melhor evento do ano em minha humilde opinião e na de várias que ali estiveram – Há quem acredite que os festivaizinhos do hangar feitos por quem não sabe o que é se fuder pelo punk há muito tempo só visando lucro ainda são o supra-sumo dos eventos Punk. E olha que o ManiFest é só em novembro. Mas este evento de sábado foi só um petisco do que será este festival. Show das bandas e do Público.
Lá vai eu virado de mais uma noite de pinga pura com os Punx colombianos aqui presentes (Que renderá uma postagem sobre as dificuldades e as gigs deles por aqui em breve) e com uns rockeiros de praça que são a companhia mais divertida da periferia abrir minha loja atrasado para fechar cedo. Era dia de Muito, mas MUITO trabalho pró pré-manifest 7. Grande expectativa do coletivo e do público, este evento tinha tudo pra dar certo. E Deu! Mas logo na chegada á estação de trem quase que troco o otimismo pela lei de Murphy: Saindo do torniquete da estação de Trem de São Caetano do Sul, dou de cara com uma reunião de Carecas, uns 20, e passo vazado. Estava sem visual e assim achava que ia adiantar algo. Eis que escuto algo como “É punk, é punk” e aperto o passo sem olhar pra trás. Mas percebo a presença de uns três em minha bota e olhando para trás não estavam muito longe. Eu, com um contrabaixo e uma pesada mochila mostrei pra eles que eu posso ser melhor atleta que eles e ganho a corrida, afinal a distancia favorecia minha dispersão e eles também desistiram logo ao entrarem em uma rua movimentada. Depois de tirar o coração da boca e o empurrar de volta ás minhas entranhas, chego ao Cidadão do Mundo já bem arrumadinho e limpo para dar os últimos retoques, como montagem do som, início da discotecagem que embalou os presentes enquanto as bandas não começavam , ajustes na mesa de som e pré-montagem do palco, que foi concluída pelo Babão (Lokaut), cara que entende do assunto infinitamente mais do que eu, analfabeto musical, mas assim insistente.
Enquanto isso, Mara, á paisana, ia na estação e via que a carecada continuava lá na porta da estação, bem na saída. Já se fazia clara a intenção do grupo: Espancar Punks sozinhos ou em pequenos grupos que fossem chegando ou, quiçá, invadir ou avacalhar o evento. Depois que saíram da estação, foram para um bar numa rua atrás do som. Mas não fizeram nada demais e foram embora. Sabiam da Grandeza do evento e que poderiam sim levar a pior se fizessem algo. Curioso que nenhuma viatura da polícia ou da Guarda civil circulava pelos arredores, isto facilitaria e muito a ação do grupo em caso deles conseguirem agredir ou até mesmo matar alguém. Não se soube de ninguém agredido por esse grupo, que talvez se apoiou na manifestação do 9 de julho promovida por grupos fascistas para depois rumarem para lá...
O tempo foi passando, o público chegando e nada das bandas... todas a bandas já sabiam de seu horário, das recomendações e responsabilidades. Mas a grande maioria decidiu chegar justamente em cima da hora de suas apresentações. Mas desta forma, todos os horários foram seguidos á risca e tudo rolou sob controle. O Tempo de palco para cada banda foi de 45 minutos e o tamanho do repertório de cada banda foi determinado pelas próprias: Quanto mais tempo arrumando as coisas, afinando, enfeitando ou simplesmente enrolando, menos tempo teriam para tocar. Mas em geral deu pra todas as bandas que tocaram Apresentarem seu trabalho de forma satisfatória.
Primeira banda a tocar, a Adios Girl abriu o evento em grande estilo, apesar de como sempre na primeira banda ter pouca gente presente. Banda relativamente nova, não tinha muitas músicas próprias e apostou bastante em covers bacanas de Subviventes, Ramones e Garotos Podres. O som é muito bem tocado e a Vocalista/Guitarrista canta muito bem, bela voz e bela Garota hehehe...
Em seguida foi a vez do The Beber’s Operário, de Itatiba, que mandou ver um som próprio de qualidade. Todos os integrantes da banda já são veteranos de cena, o que proporciona uma maior qualidade e maturidade no som da banda, um Punk Rock clássico e empolgante com refrões marcantes. A casa ainda não estava com um grande público mas as pessoas iam chegando aos poucos e engrossando a plateia do Bebers.
Terceira banda da noite, o Amnésia Coletiva, de Jacareí, Chegou exatamente bem na hora de tocar e o que vos esceve aqui doido da vida na pressa de coloca-los no palco. A casa já estava relativamente cheia e eles mandaram ver um repertório que enfim formou a primeira roda de pogo da noite, com a galera que veio da região do vale do paraíba e dos presentes do local que já possuem o Cd Split com o Pé Sujus, cantando as músicas e participando ativamente do som que foi muito bem tocado, uma energia imensa emanada do vocalista lecão ao público e ao restante da banda fizeram da apresentação do AC algo surpreendente até a quem não conhecia a banda.
Quarta banda a tocar, o 88 Não! Fez uma apresentação dentro do padrão de qualidade da banda: Uma música atrás da outra, direto e reto, com vez ou outra uma pausinha para conversar com o público, que pogava e cantava junto as músicas da banda e os covers de bandas como 2 minutos ou Attaque 77.
Depois veio a banda Lokaut, com a casa já absolutamente lotada fazendo um show que consolida cada vez mais a banda como uma das que serão definitivas para o futuro do Punk rock: Apesar de existir há bastante tempo, a banda só engrenou mesmo após seu retorno em 2009, fisgando um público fiel e conquistando mais admiração por onde passam, e o show de sábado foi a prova disso. Esperamos ansiosamente pelo lançamento do CD em fase de finalização!
Em seguida, veio... hehehe... Pé Sujus! Casa completamente cheia. Gente que veio ali para nos ver. Aparelhagem boa. E me achando pra caralho, na moral, Arrebentamos! Melhor show nosso em anos! 10 músicas apenas, mas o suficiente para ver a maravilhosa cena do público pogando, pulando, fazendo coro e participando. Fazia muito tempo que não sentia essa energia e participação do público em show nosso aqui na região de São Paulo. No final, fizemos questão de cumprimentar o público com aquele abracinho de fim de espetáculo. Um sincero agradecimento á estas pessoas que nos fazem continuar cada vez mais confiantes. E faço propaganda mesmo, porra!
Sétima banda a tocar, a banda Esgoto, em minha opinião a melhor do Brasil, já veio de outro show na região da Vila Brasilândia. Mas a energia do show deles era sim cada vez maior e melhor, pois fizeram uma das melhores performances da noite apesar do cansaço de já terem tocado há poucas horas atrás. E o público deu show mais uma vez, pogando na paz (tinha até desafeto meu que morre de vontade de estourar minha cara, conforme última ameaça, quietinho pogando ao meu lado) e ajudando nos backin vocals dos hinos eternos desta banda simplesmente foda! Punk rock sem frescura, Punk rock na veia!
Enquanto a cerveja tinha já acabado e o público começava a exterminar as bebidas fortes que tinham no bar enquanto o novo lote de cerveja não chegava, o Deserdados montava seus equipamentos para iniciar sua apresentação, enquanto o polivalente operador leigo de mesa de som, integrante de banda, integrante da organização, controlador chato de palco, pogueador e cachaceiro também fazia as vezes de DJ - aliás, isto em todos os intervalos de bandas. O show do deserdados foi bacana especialmente pois foram apresentadas várias músicas do terceiro CD da banda, projeto existente e comentado há anos e que espero que agora saia de vez. Neste meio tempo, com a saída do ex-batera Jamaica, a banda ficou um tempo parada e voltou ano passado com baterista novo e esta apresentação mostrou até mesmo certo amadurecimento na performance do novo batera, maior entrosamento da banda e recuperação da qualidade do som – quando um integrante sai, não adianta, não fica a mesma coisa, é preciso muito trabalho pra retomar o mesmo nível. O público participou ativamente, tão ativamente que chegou até a tomar microfone para cantar as músicas fora do tempo e inverter estrofes. Mas isso não é ruim não. É sinal de que o evento estava era cada vez melhor!
Nona banda, era a vez do DZK, uma das bandas mais aguardadas da noite, fazer sua apresentação que todos já sabiam como ia ser: Muito foda. O Baterista Makarrão estava mais bêbado que o convencional e o som rolou meio que de forma arrastada. Mas quem ligava pra isso? O pau comia no palco e no pogo e eu já derrotado no mezanino da mesa de som arriscava uns passinhos cansados enquanto dispersava o povo que ficava avacalhando na passagem da área de fumantes para a escada.
Décima banda a tocar e a melhor surpresa da noite, foi a hora do Avante! Dizer o que: Punk rock do bom, do melhor, do ótimo, do excelente, do “mara”, do caralho! Muito bem tocado, extremamente empolgante, banda entrosada e carismática no palco. Ganhou um fã. E vários outros também... A casa já não estava tão cheia assim (sempre tem os que vão só pra ver as bandas mais conhecidas), mas isto não tirou o brilho da apresentação desta banda.
Neste caso, faltariam duas bandas para tocar: Filhos da Desordem e Total Terror DK. Mas a banda Filhos da desordem não pôde comparecer e a banda Kob 82 foi escalada para substituí-los. Mas no dia do evento, o vocalista Tatu ficou doente e a Kob também não pôde tocar. E no caso do Total terror DK, havia show na mesma noite com o Dance of days, outra banda do vocalista Nenê Altro, e não conseguiram chegar a tempo em São caetano. Seria o fim? Não! A solução veio da colômbia, estava no som pogando e tinha nome: KRH.
Décima primeira e última banda da noite, o KRH pegou instrumentos e peças de bateria emprestados e descarregou seu Crust violento pra cima dos que ainda insistiam em estar ali assistindo ás bandas, uma apresentação de qualidade destes guerreiros do underground que mereceu todo o apoio dado por quem se dispôs a ajudar.
Eram então 3 e meia da manhã e assim encerravam-se as bandas. Mas não o evento! Prevenido com sempre trouxe meu equipamento de discotecagem de última geração (um netbook véio com virtual DJ) e fiz uma discotecagem com o melhor do Punk 77 que aos poucos foi formando uma grande roda. Uma solução de emergência que fechou o evento com chave de ouro. O público estava tão empolgado que, quando comecei a tocar coisas como samba rock ou Tim maia, continuavam dançando. Tive que parar o som e gritar para que o povo fosse embora para que pudéssemos fechar a casa. Mas ainda teve quem ficasse. Estes aí pegaram na vassoura, na pá de lixo, varreram o chão, recolheram latinhas enquanto eu fiquei com a ingrata missão do banheiro masculino, lutando bravamente contra um troço de merda grosso que boiava no vaso (quem cagou aquilo deve estar andando com as pernas abertas até agora) que não ia embora, pelo contrário, o vaso entupiu (tinha um balde de lixo do lado do vaso, mas tem gente que pensa que privada é lixeira), sem falar nos papéis higiênicos espalhados no banheiro. Mas, se estava bagunçado, é porque o evento foi sim de extrema Grandeza.
6 da manhã, enfim, após bem mais de 12 horas de punk rock e trabalho, pudemos rumar á nossas casas, esgotados, mas felizes e satisfeitos. Afinal, um evento que não deu prejuízo, local e aparelhagem devidamente pagos, incrivelmente nenhuma briga pelo que se saiba, todo mundo feliz, alegre satisfeito e bêbado. Que venha o Manifest! É dia 19 de novembro, hein pessoal!


segunda-feira, 4 de julho de 2011

12 horas de Punk Rock

Está chegando mais um Pré ManiFest! Será dia 9 de julho, com 12 horas de punk rock rolando. Serão 12 bandas fazendo uma prévia do que será o maior festival da América Latina, O ManiFest, que rolará em novembro.

O som acontecerá no Cidadão do Mundo, em São Caetano do Sul, a partir das 18h00.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Direto de Bogotá

Domingo, dia 26, esperamos todos no Cidadão do Mundo em São caetano do Sul para conferir o som com as bandas Bob Rozz, KRH, Social Chaos, Homeleess e Corre que Jesus Voltou. A partir das 15h.


Para entrar na faixa acessem o blog no dia 24/06 e participem da promoção!

terça-feira, 14 de junho de 2011

Punk um dia, Punk até morrer...

Ufa, depois de muita correria no fim de semana, estamos de volta, no empenho dos próximos eventos, mas como não poderia faltar, esta aí uma resenha do som "A Velha Escola do Punk Rock", livremente copiada do blog do nosso amigo e parceiro, Feio: http://cenapunksp.blogspot.com/ .



A noite do dia 11 de Junho de 2011, geladíssima e em semana de pagamento, foi dos Punks de “cabeça branca” ou cabeça “pelada” pela calvície, mas que um dia foram cabelos curtos ou moicanos. Barrigas maiores que já foram magras,que faziam parte do corpo franzino que era o corpo de muitos jovens punks. Rugas e sinais do tempo nas “Senhoras Punks”, que já foram meninas cheias de maquiagem no rosto e cabelo “Joãozinho” que era comum no início dos anos 1980. Pick Ups Technics e iluminação modernosa com efeitos multicoloridos, 2 strobos portentes, um mixer enorme da behringher, no lugar de sons de fita e salões escuros ou de iluminação rudimentar. 30 anos depois as coisas mudaram... mas o Punk Não! As mesmas pessoas, os mesmos discos, o mesmo êxtase em cada música que se iniciava... era isso que se via neste evento que pela qualidade que teve marcou época.

Eu, no alto dos meus 23 anos, pude presenciar com um pouco mais de tecnologia no processo o que era um legítimo “Som de fita”, tão popular no início do movimento Punk, e lamentar porque esta prática se perdeu com o tempo (Organizo uns sons de Notebook por aí, a evolução da fita... mas a geração atual é muito apática pra essas coisas e dá um certo desanimo). Pude interagir com os Punk Véio, tanto em conversas e cervejas, como fazendo parte da organização e do comando da iluminação. Uma noite memorável, sem sombra de dúvida. Mas que pra nós, da Brancaleone começou quando o sol ainda estava decidindo se dava uma esquentadinha em nossas cabeças na tarde daquele sábado...

Cheguei ao local, acompanhado pelo parceiro de maloqueiragem Rafael (que fazia parte da outra banda que eu fazia vocal, “Os mundrungos” ) por volta das 18:30, afinal estava aqui na lojinha trabalhando. Mas a Mara, provando porque quem constrói as coisas úteis no Rolê não deve parar nunca, estava por lá desde o início da tarde já correndo atrás das paradas. Correria que se estendeu até mesmo depois da hora em que chegamos: Sobrou até pro Rafael, que, apresentado à mara foi apresentado à vassoura e ao local onde a mesma deveria ser utilizada. E eu, apresentado à mesa de luz e de som, tão complexos que até esse asno aqui que escreve, aprender a mexer naqueles trecos, foi treta. Mas eu teria que aprender senão, não iria ser tão legal como foi. Bendito do técnico da casa que me deu umas dicas. Mas tive que me virar sozinho varias vezes até acertar o ponto certo das coisas (a mesa de luz era moleza, mas o que era aquela mesa de som, meu Deus?).

Por volta das 20 hs chegam as parafernálias dos Djs: Pick Ups, Mixer, Pré-amps, CDJs, sequenciais, Strobo, e os suportes para aquelas coisas todas se apoiarem e pendurarem para funcionar. Chega também o super DJ Luiz Ratinho, que ao lado do (olha ele de novo) Ariel comandaram esta noite compartilhando com nossos ouvidos o som de seus vinis raríssimos e de valor inestimável. Montada toda a aparelhagem, os últimos corres foram feitos, como buscar os perdidos na estação e sair pra trocar dinheiro nos guichês da rodoviária ali próxima e botecos quase fechando para garantir troco para o bar. E por falar em Bar, o mesmo foi comandado pela Bar Bar’Oz, empresa especializada em bar e bartenders, garantindo ao evento uma grande gama de opções de drinks ou Cachaças Violentas, a gosto e bolso do freguês, ainda sim que o preço das bebidas estavam ótimos e justíssimos, tendo como resultado rápido a visão do primeiro bodiado que se abrigou dormindo de bêbado no canto do salão por volta das 22:30, quando tudo ainda estava começando...

Os velhos amigos ao se reencontrarem dão fortes abraços cheios de saudades, do tempo que não tinham as mesmas responsabilidades e compromissos e tinham a idade de curtir a juventude e se viam praticamente todo fim de semana. O DJ Ratinho, do lado de fora do salão após observar a rua do evento, vendo que eu estava perto, direciona a palavra a mim e relata que Nunca pensou que estaria tocando em São Caetano. Afinal, no começo de tudo (ele já era DJ), tinha aquela velha briga do pessoal de São Paulo com o pessoal do ABC. Mas naquela noite o que se via era a mais completa paz, clima amigável e os Punks do ABC estavam presentes... mas só que a galera da nova geração em sua maioria.

Pudemos considerar que a festa começou por volta das 21:30, neste horário descrito já tinha som rolando e gente pogando. Mas como todo evento que vira a noite que se preze, depois das 23 horas que a galera começou a chegar em peso e o chicote estralou. E eu lá, sóbrio, serrando cerveja de quem passava por mim, na mesinha de som dando as cores do palco. Neste meio tempo o Rafael levanta do seu sono no quartinho restrito(afinal, protagonizamos na noite anterior um porre homérico com bilhar e videokê no cesar bar – eu fui pra casa, ele não, e foi viradão) e teve curiosidade de aprender a mexer na mesinha de luz. Ensinei-o, isto possibilitou o revezamento de pogo dos dois “operadores” de iluminação no lugar certo: a pista, que fervia ao som caloroso dos vinis raros dos dois DJS. Coisas que a gente pôde ouvir como The members, Penetration, Chron Gen, Interterror, New York Dolls, MC5, Stooges, entre muitas coisas que eu não sabia o nome e acho que nem vou saber. Afinal é tanta coisa, tanta banda, tanto artista, tanta raridade... isto mostra a amplitude e a Grandeza do Punk, que enquanto a imprensa decretava sua morte, estava apenas num embrião que hoje é algo cada vez mais forte apesar dos pesares (ao menos culturalmente). Ver senhores e senhoras pra lá dos seus 50 anos pulando freneticamente com latinhas de cerveja na mão cantando junto os refrões dos clássicos do punk rock me fez vir á mente aquelas cenas de documentários sobre o inicio do punk no brasil, em que alguns deles eram bem novinhos.

Eis que Ratinho ergue com orgulho o seu maior troféu e objeto de desejo de todo punk há mais de 30 anos: Seu disco do Sppedtwins! Retira a bolacha com total cuidado da quase intacta capa e coloca sobre uma das duas Pick ups... “My generation” começa a rolar e a casa vai abaixo! Tão raro e valioso (Muito, muito, muito, muito difícil de encontrar e o dobro desse tanto de muito em se tratando de caro) e tão poderoso, este vinil rolando foi o ponto alto da festa. A pista não poderia estar lotada como antes (quando tocava músicas do Punk 77 que até minha vó conhecia), mas quem estava ali pogava enlouquecidamente! Um lado completo do disco fez a alegria da galera. Como meu blog não é de blá blá blá musical, vai na porra do google e procura saber sobre a importância desse disco do Speedtwins e você entenderá o que eu estou falando.

A noite foi avançando e o pessoal cansando... Uns iam embora, outros encostavam, mas a festa rolou até ás 5 da manhã – com o som – com direito á extensão de trocas de ideias até ás 6 e meia da manhã. E quem arredou o pé foi mesmo a galera nova (eu mesmo 5 e meia da manhã já saí correndo). Isto prova que Punk um dia, Punk até morrer! E que os sons de “fita” tem mais é que voltar! Não é a mesma coisa do que som de bandas, mas também faz parte de nossa cultura! Afinal são festas para descontrair mesmo, confraternizarmos, dançarmos e conhecermos mais bandas. Eu como DJ (quer dizer, no meu caso, cara que tem uns cds e um computador e faz uma macumbinha no virtual DJ pra parecer que o negócio é uma pick up) posso dizer isso que não há nada mais gratificante para um DJ do que estar conduzindo um momento de alegria e êxtase de várias pessoas, além do prazer em responder a dúvida do ouvinte sobre qual artista que está rolando. Esta pessoa que pergunta pesquisa mais sobre tal artista e procura outros do mesmo estilo e quem sabe um dia não vira DJ também?Certamente Ratinho e Ariel se sentiram assim.

Saldo final: Evento perfeito, só entre amigos e som de qualidade. Briga teve uma, mas do lado de fora e de... Namorados. Aí já saiu do campo Punk, afinal, em briga de marido e mulher ninguém mete a colher.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Como chegar?

Está chegando, amanhã é o dia da nossa Velha Escola do Punk Rock! Esperamos todos lá.
Como algumas pessoas já vieram me perguntar como chegar no pico onde o som rolará, taí um mapa para vocês.

Fonte: Google Maps


O jeito mais simples de chegar é de trem. Basta descer na Estação São Caetano da linha Turquesa da CPTM. No mapa está indicada a localização do Cidadão do Mundo, na Rua Rio Grande do Sul, 73. 

E não esqueção, no domingo o barulho continua com a fest "Sunday Blood Sunday". A partir das 15 horas, com as bandas Sistema Sangria, Oligarquia, Heresia 666 e Mantrayard. 

quarta-feira, 8 de junho de 2011

A Velha Escola do Punk Rock

Sábado, dia 11 de junho é dia de engraxar os coturnos, vestir a jaqueta de couro, erguer o moicano e relembrar os “sons” de antigamente. Essa é a proposta da “Velha Escola do Punk Rock” , evento que vai acontecer  no Cidadão do Mundo em São Caetano do Sul, a partir das 21 horas.

O som será de vinyl e a discotecagem estará no comando do Luiz “Ratinho” e do Ariel, vocalista da banda Invasores de Cérebros. A escolha não foi à toa,  ambos tem uma longa história dentro do punk rock e conhecem muito punk rock.  “Virei DJ com apenas 13 anos de idade , freqüentando o 9. Modéstia a parte  fiz muitos punks darem jaquetadas no chão”, conta Ratinho. “A maior parte da minha história no Punk, passei discotecando pelas quebradas paulistanas, com vinil, gravador de rolo, fita cassete e mesmo com CDs, em aparelhos próprios ou em casas noturnas. Transformava qualquer salão ( creches, sociedades amigos de bairros, clubes de futebol amador, garagens de casas) em salões punks do dia pra noite”, afirma Ariel.

Tudo começou em picos como a Gruta, na Zona Norte, a igrejinha na Vila Amália – a missa acabava às 18:00 então tiravam os bancos e o altar para o som rolar – o Construção, na Vila Mazei – o melhor de todos na opinião do Ratinho – o Dinora, na Av. Casa Verde – um forno de padaria desativado -  entre outros, como o Templo do Rock no Pari, a One Way, no Tucuruvi, os sons no Mont Blanc e no Ácido Plástico em Santana.

Nessa época  rolavam os sons de fita. “Antigamente não existia banda tocando toda hora como agora e precisávamos criar condições para que o pessoal pudesse se reunir e escutar as novidades vindas de além mar. Escutávamos em princípio na casa de alguém que possuía os discos de Punk Rock, que eram raríssimos de se encontrar e por isso caros. Fazíamos cópias em fitas cassete e organizávamos sons de fitas em algum salão alugado pelas quebradas. No nosso pessoal, todos colaboravam com a organização do evento e tínhamos desde quem fazia os cartazes com visuais criados por nós, quem montava e ficava no bar, na portaria, etc.”, fala Ariel. “Também acontecia sempre de chegar algum Punk de algum lugar, com novidades fresquinhas gravadas em fitas.”, acrescenta Ratinho.

É este universo que será recriado no sábado, com o som apenas dos vinys tocando. “Tocar com vinyl, é como voltar nas raízes , voltar em um passado que deixou muitas saudades, ainda mais falando de punk rock, que os discos são super raros.”, afirma Ratinho.  “Acho legal a discotecagem em vinil porque resgata uma forma de se comunicar com paixão, tratando a música com certa dignidade, pois a frieza das mídias atuais não nos deixam sentir tudo o que um LP (por exemplo) tem a oferecer em termos de arte, que começa na capa com ilustrações fantásticas, passando por informações técnicas e preciosas sobre a história da banda sem contar que o som da agulha no vinil traz as frequências mais abertas, enquanto a digitalização das novas mídias as "chapam" um pouco.”, defende Ariel.

Nas pic ups irão rolar muitos clássicos, mas o pessoal também pode esperar por sons novos. “Sons que o pessoal pode esperar: aqueles que fazem voltar no tempo, aqueles que quando toco todo mundo agita. É incrível,
quando toco para o pessoal, dou o melhor de mim, apenas para ver todos curtindo e voltando no tempo 33 anos atrás” conta Ratinho.

“Podem ter certeza que tanto eu como o Ratinho, somos apaixonados por esse som que revolucionou, não só uma geração, mas toda a história do Rock em todo o planeta e quem for ao som do dia 11 não sairá de lá impune.”, afirma Ariel.

O som no dia 11/06 servirá para os “punks das antigas” relembrarem os velhos tempos e matarem a saudade, e para os punks da nova geração conhecerem um pouco mais do que é a história do movimento punk em SP. 

sábado, 4 de junho de 2011

BRANCALEONE APRESENTA.... DIRETO DE BOGOTÁ / COLÔMBIA



Em parceria com a distro El Brujo (Borella), Brancaleone apresenta, pra quem gosta de barulho de primeira qualidade, essa sonzera...diretamente de Bogotá / Colômbia. Vamos lá conhecer e curtir o trabalho dos 'hermanos'....