Coletivo Brancaleone

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Brancaleone Punk Rockers

... E por mais de trinta anos, o que parecia ser só apenas uma explosão musical e visual, perdurou como uma luta séria pelo mundo todo. Sim, o PUNK está firme e forte no mundo inteiro. Longe da mídia, dos holofotes, das revistas de música... Mas presente no coração de milhões de pessoas espalhadas por este mundão imenso, provando que ainda tem muita coisa para mostrar.
Por aqui no Brasil, ganhou identidade própria. Surgido em anos de ditadura militar e sendo os primeiros grupos de interessados  oriundos das periferias – principalmente nos subúrbios da Grande São Paulo, o grande epicentro do movimento – o movimento punk se afirmou com o passar dos anos como uma opção e estilo de vida para jovens sem futuro ganharem ânimo e força para reivindicarem uma vida melhor, um mundo mais justo e questionar tudo que se apresente como conveniente para as massas.
Foi bem notado no início dos anos 1980, com o surgimento dos primeiros discos punks como “Grito suburbano” (1982), “SUB” (1983) e do maior festival Punk já realizado no mundo – não pelo tamanho, nem quantidade de bandas, mas por sua sinceridade e crueza, que apresentaria o punk Brasileiro ao mundo. Estou falando do Começo do Fim do mundo, realizado no SESC Pompéia em 1983.
Aqueles garotos estranhos, sujos e agressivos tinham sim algo a dizer. A sisudez não era apenas estética. Os fanzines e bandas cuspiam toda a realidade num povo que não queria (e ainda não quer) nem ouvir balbuciações de coisas sinceras. A verdade sempre incomodou as pessoas,  simples mortais  explorados. E, porque não incomodaria a mídia e o governo militar da época?
Devido a uma briga durante o festival, tido como “novidade” para a imprensa cultural na época, a imprensa marrom chegou rapidamente e tratou de começar a lapidar uma estátua estereotipada como o Punk sendo omarginal. O Governo começou a caçar os punks na rua: eles já faziam parte dos grupos de demitidos das empresas após matérias sensacionalistas, dos Torturados pela ditadura, dos então malvistos pela família... Mas nossa luta apesar disso tudo pode ter sido ofuscada pelo tempo e pela debandada de membros... porém sempre existiram aqueles que sempre estiveram ali firmes e fortes e continuaram esta luta libertária e cultural pelas décadas seguintes, encantando gerações e perpetuando a nossa cultura até os dias de hoje.
Porém, nem tudo são flores... Assim como na polícia existem membros assassinos e corruptos, assim como no congresso existem ladrões engomados, assim como nas igrejas existem oportunistas sem nenhum pingo de Deus no coração mas com o mesmo nas palavras que ludibriam, assim como no pagode tem gente que pratica tráfico e assalto, assim como no funk que tem gente que faz apologia a drogas e sexo com menores, assim como na MPB que tem muito pseudo-intelectual maconheiro, o movimento punk também tem seus “podres”. São pessoas que não precisam de um ideal para viver, mas de um grupo para andar, de um álibi para justificar as coisas ruins que os seus impulsos emocionais os movem a fazer. Tais integrantes são responsáveis por agressões, assassinatos, vandalismos injustificados, ações preconceituosas cometidas em nome do movimento Punk. E mais uma vez a massa que não procura se importar com as lutas sociais e  nem com o que tem a dizer cada grupo, prefere acreditar numa imprensa que se digladia pelo furo sensacionalista da notícia envolvendo aquele pseudo-punk, em suas conclusões definindo de forma errônea o que seria o Punk para o povo.
Neste país sempre foi praxe o punk na mídia (com raras exceções) aparecer sempre  sendo detido após algum delito e em entrevistas é dado um espaço editado só com o que interessa para a imprensa das declarações de alguém tentando provar que focinho de porco não é tomada. Conta-se nos dedos as vezes em que o movimento apareceu em destaque como algo cultural, como algo que pode contribuir na capacidade de pensar e refletir o mundo sob o ponto de vista libertário. Isto acaba gerando confusão na cabeça das pessoas, que pensam que os punks são nazistas, preconceituosos, homofóbicos, criminosos, bandidos, e outras coisas ruins entre as alcunhas pejorativas.
Ás vezes algumas pessoas até entram no movimento justamente por causa dessas alcunhas dadas ao punk, e fazem isso ao pé da letra por estarem numa fase de autoafirmação e precisarem chamar atenção de alguma forma. É lógico, estas pessoas depois de ajudarem a atrapalhar a luta alheia são presas, assassinadas por rivais de igual estirpe de gangues, passam para o lado dos grupos de extrema direita ou simplesmente aderem a uma religião qualquer chamando sua vida de “punk” de  fase de trevas, atraso de vida, decadência, entre outras coisas mais.
Porém, nenhuma pessoa que adote o senso comum como cabresto de seus pensamentos e atitudes (a maioria da população, dizendo mais claramente) tem a noção do que é a real luta do Punk, a amplitude de tudo que foi construído nessas décadas de batalhas incessantes.  A idéia de como a paixão pelo que se faz por parte dos punks que construíram e constroem a cena, é capaz de fazer um estrago enorme no cenário cultural e político.
Quem entra no movimento geralmente por causa de duas ou três bandas, morre com o conhecimento de pelo menos umas 500 bandas – e olha que isso não chega nem ao dado percentual de “traço” (-), que significa insuficiente para se enumerar diante da amplitude de tudo aquilo que o punk é e sempre será.
O Brasil em especial é o palco do PUNK no mundo. São Dezenas de Milhares de Bandas que tocam pelo país todo, toda semana, movimentando e perpetuando a cultura e os ideais do movimento Punk. Na região da Grande São Paulo não há um único fim de semana em que não haja um show punk, um evento cultural organizado por um punk ou algum encontro ou manifestação. Não importando se é um evento musical de grande porte ou uma panfletagem numa praça do interior num domingo qualquer, isto deve ser visto e valorizado. Isto mostra como somos fortes, mostra nosso valor como movimento político-cultural. Pode ser que nossos métodos de apresentar quem somos nós não sejam tão convenientes, mas quem supera a falta de conveniência no fim das contas descobre seres humanos de valor em cada um daqueles rostos rudes e roupas rasgadas ou sem visuais mas com a indignação com as injustiças á flor da pele e que matam a vontade de gritar sufocada no ar, como diria a canção Punk “garotos do subúrbio” da banda inocentes.
São inúmeros fanzines, modo de comunicação adotado hoje em dia em outras culturas como a Hip Hop, Gótico, e até em pequenas cidades do interior do país divulgando coisas como Grupos de forró. São inúmeras “Distros”, que se encarregam de levar e trazer os sons e culturas de países diferentes através da comunicação, na base da troca ou da venda a baixo custo, no intuito apenas de Divulgações. São Inúmeros coletivos, que organizam encontros, reuniões, intervenções culturais, fanzines, eventos e até mesmo peças teatrais, dentro do contexto punk e no ponto de vista libertário.
A falta de recursos não deixa o punk de cabeça baixa – afinal de conta um dos nossos maiores valores é justamente superar as dificuldades para chegar em nossos objetivos. Somos Guerreiros suburbanos, a luta para sobreviver está no nosso sangue e está presente não só na vida punk como na vida social. Uma falta de computador não impede um fanzine de existir – Temos mãos e canetas para escrever o que queremos; Uma falta de espaço não impede uma banda de tocar – Temos os botecos de periferia que cedem o espaço para nós (ganhamos o espaço e eles ganham com o consumo da galera); Uma falta de dinheiro não nos impede de nos divertir ou fazer o que deve ser feito – podemos pular catracas de ônibus ou fazer arrecadação de moedas para entrar num show.
E dentro desse contexto de preservação da cultura Punk e da manutenção e divulgação dos ideais Libertários, surge em 2011 o coletivo BRANCALEONE PUNK ROCKERS, juntando o que há de melhor no movimento punk de ontem e de hoje, trabalhando para que o mesmo tenha um Grande Amanhã.
Inicialmente a BRANCALEONE iria apenas reunir-se para realizar mais uma edição dos festivais SP PUNK, rebatizado para MANIFEST, um nome mais global, sem fronteiras e totalmente Independente, juntando a luta do Punk, a MANIFESTação, presente na arte e cultura subversiva e libertária através principalmente da música, maior canal de exposição de ideias e maior atrativo para conhecer o movimento ou simpatizar com o mesmo, com o FESTival, com a FESTa que será apenas o formato da transmissão das ideias e divulgação das bandas como também a confraternização a todos que desejam compartilhar desse momento tão festivo e importante que será devolvido ao movimento punk e ao calendário cultural paulistano.
A proposta foi evoluindo e surgem então os eventos “pré-manifest”, que são prévias do festival que está por vir, mostrando em várias partes da cidade de são Paulo e região metropolitana que vem coisa boa por aí, atraindo a atenção até mesmo de bandas de várias partes do Brasil. Não satisfeito, o coletivo também realiza eventos além dos pré-manifest, no Espaço Cultural Cidadão do Mundo em São Caetano do Sul, uma parceria que vai render muitos bons eventos por lá, beneficiando não só o calendário cultural da região do ABC mas como também de São Paulo, devido a facilidade de chegar e a proximidade com a Capital Paulista.
A Junção da experiência dos membros mais velhos do coletivo com a vivência e conhecimento das necessidades do atual movimento punk dos mais novos são os fatores fundamentais para que o C oletivo Brancaleone esteja sempre integrado a todos que independente da idade se interessam pela cultura punk, além de os membros aprenderem uns com os outros e compartilharem histórias e opiniões.
Estamos aqui para meter a cara novamente, para o Punk ser cada vez maior e melhor e provar que só união e persistência são capazes de produzir coisas Grandes e Importantes, mesmo sem um centavo no bolso como ainda é nosso caso. O espírito de Luta está presente em nossos corações e isso só irá motivar o esforço que faremos para conseguirmos o que queremos. Avante, PUNK!
                                                                                                                                                                     
BRANCA! BRANCA! BRANCA! LEONE! LEONE! LEONE!

Fernando Feio,

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