Coletivo Brancaleone

terça-feira, 14 de junho de 2011

Punk um dia, Punk até morrer...

Ufa, depois de muita correria no fim de semana, estamos de volta, no empenho dos próximos eventos, mas como não poderia faltar, esta aí uma resenha do som "A Velha Escola do Punk Rock", livremente copiada do blog do nosso amigo e parceiro, Feio: http://cenapunksp.blogspot.com/ .



A noite do dia 11 de Junho de 2011, geladíssima e em semana de pagamento, foi dos Punks de “cabeça branca” ou cabeça “pelada” pela calvície, mas que um dia foram cabelos curtos ou moicanos. Barrigas maiores que já foram magras,que faziam parte do corpo franzino que era o corpo de muitos jovens punks. Rugas e sinais do tempo nas “Senhoras Punks”, que já foram meninas cheias de maquiagem no rosto e cabelo “Joãozinho” que era comum no início dos anos 1980. Pick Ups Technics e iluminação modernosa com efeitos multicoloridos, 2 strobos portentes, um mixer enorme da behringher, no lugar de sons de fita e salões escuros ou de iluminação rudimentar. 30 anos depois as coisas mudaram... mas o Punk Não! As mesmas pessoas, os mesmos discos, o mesmo êxtase em cada música que se iniciava... era isso que se via neste evento que pela qualidade que teve marcou época.

Eu, no alto dos meus 23 anos, pude presenciar com um pouco mais de tecnologia no processo o que era um legítimo “Som de fita”, tão popular no início do movimento Punk, e lamentar porque esta prática se perdeu com o tempo (Organizo uns sons de Notebook por aí, a evolução da fita... mas a geração atual é muito apática pra essas coisas e dá um certo desanimo). Pude interagir com os Punk Véio, tanto em conversas e cervejas, como fazendo parte da organização e do comando da iluminação. Uma noite memorável, sem sombra de dúvida. Mas que pra nós, da Brancaleone começou quando o sol ainda estava decidindo se dava uma esquentadinha em nossas cabeças na tarde daquele sábado...

Cheguei ao local, acompanhado pelo parceiro de maloqueiragem Rafael (que fazia parte da outra banda que eu fazia vocal, “Os mundrungos” ) por volta das 18:30, afinal estava aqui na lojinha trabalhando. Mas a Mara, provando porque quem constrói as coisas úteis no Rolê não deve parar nunca, estava por lá desde o início da tarde já correndo atrás das paradas. Correria que se estendeu até mesmo depois da hora em que chegamos: Sobrou até pro Rafael, que, apresentado à mara foi apresentado à vassoura e ao local onde a mesma deveria ser utilizada. E eu, apresentado à mesa de luz e de som, tão complexos que até esse asno aqui que escreve, aprender a mexer naqueles trecos, foi treta. Mas eu teria que aprender senão, não iria ser tão legal como foi. Bendito do técnico da casa que me deu umas dicas. Mas tive que me virar sozinho varias vezes até acertar o ponto certo das coisas (a mesa de luz era moleza, mas o que era aquela mesa de som, meu Deus?).

Por volta das 20 hs chegam as parafernálias dos Djs: Pick Ups, Mixer, Pré-amps, CDJs, sequenciais, Strobo, e os suportes para aquelas coisas todas se apoiarem e pendurarem para funcionar. Chega também o super DJ Luiz Ratinho, que ao lado do (olha ele de novo) Ariel comandaram esta noite compartilhando com nossos ouvidos o som de seus vinis raríssimos e de valor inestimável. Montada toda a aparelhagem, os últimos corres foram feitos, como buscar os perdidos na estação e sair pra trocar dinheiro nos guichês da rodoviária ali próxima e botecos quase fechando para garantir troco para o bar. E por falar em Bar, o mesmo foi comandado pela Bar Bar’Oz, empresa especializada em bar e bartenders, garantindo ao evento uma grande gama de opções de drinks ou Cachaças Violentas, a gosto e bolso do freguês, ainda sim que o preço das bebidas estavam ótimos e justíssimos, tendo como resultado rápido a visão do primeiro bodiado que se abrigou dormindo de bêbado no canto do salão por volta das 22:30, quando tudo ainda estava começando...

Os velhos amigos ao se reencontrarem dão fortes abraços cheios de saudades, do tempo que não tinham as mesmas responsabilidades e compromissos e tinham a idade de curtir a juventude e se viam praticamente todo fim de semana. O DJ Ratinho, do lado de fora do salão após observar a rua do evento, vendo que eu estava perto, direciona a palavra a mim e relata que Nunca pensou que estaria tocando em São Caetano. Afinal, no começo de tudo (ele já era DJ), tinha aquela velha briga do pessoal de São Paulo com o pessoal do ABC. Mas naquela noite o que se via era a mais completa paz, clima amigável e os Punks do ABC estavam presentes... mas só que a galera da nova geração em sua maioria.

Pudemos considerar que a festa começou por volta das 21:30, neste horário descrito já tinha som rolando e gente pogando. Mas como todo evento que vira a noite que se preze, depois das 23 horas que a galera começou a chegar em peso e o chicote estralou. E eu lá, sóbrio, serrando cerveja de quem passava por mim, na mesinha de som dando as cores do palco. Neste meio tempo o Rafael levanta do seu sono no quartinho restrito(afinal, protagonizamos na noite anterior um porre homérico com bilhar e videokê no cesar bar – eu fui pra casa, ele não, e foi viradão) e teve curiosidade de aprender a mexer na mesinha de luz. Ensinei-o, isto possibilitou o revezamento de pogo dos dois “operadores” de iluminação no lugar certo: a pista, que fervia ao som caloroso dos vinis raros dos dois DJS. Coisas que a gente pôde ouvir como The members, Penetration, Chron Gen, Interterror, New York Dolls, MC5, Stooges, entre muitas coisas que eu não sabia o nome e acho que nem vou saber. Afinal é tanta coisa, tanta banda, tanto artista, tanta raridade... isto mostra a amplitude e a Grandeza do Punk, que enquanto a imprensa decretava sua morte, estava apenas num embrião que hoje é algo cada vez mais forte apesar dos pesares (ao menos culturalmente). Ver senhores e senhoras pra lá dos seus 50 anos pulando freneticamente com latinhas de cerveja na mão cantando junto os refrões dos clássicos do punk rock me fez vir á mente aquelas cenas de documentários sobre o inicio do punk no brasil, em que alguns deles eram bem novinhos.

Eis que Ratinho ergue com orgulho o seu maior troféu e objeto de desejo de todo punk há mais de 30 anos: Seu disco do Sppedtwins! Retira a bolacha com total cuidado da quase intacta capa e coloca sobre uma das duas Pick ups... “My generation” começa a rolar e a casa vai abaixo! Tão raro e valioso (Muito, muito, muito, muito difícil de encontrar e o dobro desse tanto de muito em se tratando de caro) e tão poderoso, este vinil rolando foi o ponto alto da festa. A pista não poderia estar lotada como antes (quando tocava músicas do Punk 77 que até minha vó conhecia), mas quem estava ali pogava enlouquecidamente! Um lado completo do disco fez a alegria da galera. Como meu blog não é de blá blá blá musical, vai na porra do google e procura saber sobre a importância desse disco do Speedtwins e você entenderá o que eu estou falando.

A noite foi avançando e o pessoal cansando... Uns iam embora, outros encostavam, mas a festa rolou até ás 5 da manhã – com o som – com direito á extensão de trocas de ideias até ás 6 e meia da manhã. E quem arredou o pé foi mesmo a galera nova (eu mesmo 5 e meia da manhã já saí correndo). Isto prova que Punk um dia, Punk até morrer! E que os sons de “fita” tem mais é que voltar! Não é a mesma coisa do que som de bandas, mas também faz parte de nossa cultura! Afinal são festas para descontrair mesmo, confraternizarmos, dançarmos e conhecermos mais bandas. Eu como DJ (quer dizer, no meu caso, cara que tem uns cds e um computador e faz uma macumbinha no virtual DJ pra parecer que o negócio é uma pick up) posso dizer isso que não há nada mais gratificante para um DJ do que estar conduzindo um momento de alegria e êxtase de várias pessoas, além do prazer em responder a dúvida do ouvinte sobre qual artista que está rolando. Esta pessoa que pergunta pesquisa mais sobre tal artista e procura outros do mesmo estilo e quem sabe um dia não vira DJ também?Certamente Ratinho e Ariel se sentiram assim.

Saldo final: Evento perfeito, só entre amigos e som de qualidade. Briga teve uma, mas do lado de fora e de... Namorados. Aí já saiu do campo Punk, afinal, em briga de marido e mulher ninguém mete a colher.

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